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Entrevista com Gabriel Marin
23/7/2009

O paulista Gabriel Marin, atualmente solista do naipe de violas da Orquestra Sinfônica Brasileira do Rio de Janeiro – OSB, foi bolsista do Festival de Campos do Jordão em duas oportunidades: 2001, aos quinze anos de idade, e 2004. Foi em sua segunda passagem pelo Festival, que o violista, então com 18 anos, conquistou o prêmio Eleazar de Carvalho, concedido ao aluno de maior destaque do evento. Por meio da premiação, uma bolsa de estudos no exterior, Gabriel foi para a Dinamarca, onde teve como professor Rafael Altino, na Carl Nielsen Academy of Music. O músico revela nessa entrevista à reportagem do Festival como o Prêmio Eleazar de Carvalho mudou a sua vida e conta da emoção de retornar ao evento como professor.

Você já foi bolsista do Festival Internacional de Campos do Jordão e inclusive venceu o Prêmio Eleazar de Carvalho na edição de 2004. Como é retornar ao Festival como professor?

É emocionante. É muito bom voltar ao Festival e ver que ele continua se desenvolvendo é gratificante. Criei uma relação muito forte com esse evento, não tenho nem palavras para descrever o meu sentimento. O Prêmio Eleazar de Carvalho, do qual fui o vencedor em 2004, mudou a minha vida, foi realmente um divisor de águas.

Você se identifica com os bolsistas, com os jovens músicos. Se vê um pouco neles?

Com certeza, até porque muitos deles foram bolsistas junto comigo de edições passadas do Festival. Isso ajuda também nas aulas, gera uma interação maior.

Qual conselho você daria a esses jovens bolsistas?

Acredito que o principal é sempre lembrar que fazemos música porque gostamos. As vezes esquecemos um pouco isso, ou deixamos em segundo plano. Nós fazemos música por prazer e diversão, então precisamos ter perseverança. Quando fazemos o que gostamos nós não trabalhos, nos divertimos. Se a pessoa estiver tocando algo que não esteja lhe dando prazer, deve procurar outros repertórios. Apenas quando nos sentimos bem, quando sentimos prazer em tocar é que conseguimos passar isso para as outras pessoas.

Essa edição do Festival traz um repertório ampliado de música de câmara. Você gostou dessa inovação?

Gostei muito da prioridade que a direção pedagógica do Festival de Campos do Jordão reservou para os programas e estudos de música de câmara. Isso foi fantástico. A música de câmara é o essencial, vital. É com ela que aprendemos a fazer música e a ouvir. Porque ouvir é até mais importante do que tocar. A ênfase que o Festival dá nesta edição para a música de câmara é para mim uma das grandes evoluções deste evento.

Existe também nessa edição um enfoque maior na música contemporânea. O que você achou disso?

Eu sou suspeito para falar, porque adoro música contemporânea. Talvez até pelo instrumento que eu toco, que é viola, para a qual existe um repertório grande de música nova. Acho que esse é outro ponto de evolução neste ano. É muito difícil você ver um grande evento que prestigie a música contemporânea no Brasil, e esse Festival, que é o maior de todos, ao completar 40 anos dar essa ênfase à música de câmara, para mim, é muito importante. Isso é muito difícil de ver nas grandes salas, nas grandes orquestras. Estou impressionado também com o Grupo de Câmara do Festival, do qual pude acompanhar alguns ensaios. Eles estão tocando muito bem.

O intercâmbio com os músicos estrangeiros tem sido bom para você?

Eu não conhecia muitos dos músicos estrangeiros que estão aqui em Campos do Jordão. Vou realizar um concerto no auditório Claudio Santoro com duas professoras do Conservatório de Paris. Estou achando ótimo conversar com eles, trocar experiências.

O Festival é um grande ponto de encontro, não?

Sim, e isso é fantástico para mim, e para os professores de fora também, que podem conhecer a realidade onde nós vivemos e saber o quanto podemos fazer. Acho que todos saem ganhando, não só os professores, mas principalmente os alunos.


Foto de Heloísa Bortz

Fonte: (Comunicação - Santa Marcelina Cultura)
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