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Stefano Gervasoni: compositor residente fala com o site do festival
20/7/2009

Um dos compositores italianos mais conhecidos de sua geração, Stefano Gervasoni é também professor do Conservatório de Paris, onde leciona para alunos de todas as partes do mundo. Com ampla obra composta de peças encomendadas para orquestras, grupos e corais, Gervasoni conta como é passar esta experiência pela primeira vez para alunos brasileiros e o que está achando do Festival de Campos do Jordão.

Stefano, como tem sido esta experiência com jovens compositores de vários países do mundo? Por quais países você já passou?
R: Leciono para muitos alunos da América Latina, Coreia e Japão no Conservatório de Paris, além de alunos dos países europeus. Também já estive ministrando workshops no Japão, na Itália, Estados Unidos e agora no Brasil. Tem sido muito interessante.

É a primeira vez no Brasil?
Sim, na verdade é a primeira vez que venho à América do Sul e estou achando uma descoberta gratificante.

Como tem sido o trabalho com os bolsistas de composição no festival de Campos?
Acho que é uma troca, é interessante para mim e para eles. Os alunos já trouxeram obras semi-prontas e estamos finalizando-as aqui. Percebi como os jovens compositores podem ser apaixonados pelo trabalho de criação e isso é sem dúvida um estímulo para mim.

Fale sobre o trabalho de compositor de música erudita hoje. Quais são os desafios para o jovem que quer seguir este caminho?
Hoje em dia escrever música é complicado, principalmente longe dos grandes centros artísticos. Hoje é tudo tão globalizado, os mercados foram reduzidos exclusivamente à troca econômica. A música e a arte em geral precisam de um espaço livre para criar, para se expressar. Na maioria dos países, as políticas culturais não funcionam e o investimento em cultura é muito baixo. Por isso, quando você vê jovens artistas querendo criar, querendo trabalhar, é algo muito e estimulante pra mim.

Quais são as diferenças entre os jovens compositores brasileiros e os compositores iniciantes em outras partes do mundo?
Posso comparar os jovens compositores brasileiros com os jovens aos quais eu leciono no Conservatório de Paris, que vêm de diversos países: América do sul, Japão e Coreia, por exemplo. A diferença que eu vejo é que os estrangeiros se tornam muito focados no mercado musical, nas oportunidades de trabalho, nas tendências. Aqui é totalmente diferente, eles se atentam mais ao aprendizado, ao desenvolvimento, a troca e ao estudo da arte de compor.

O que você está achando das peças compostas pelos bolsistas?
Estou gostando muito. As peças deles mostram este interesse íntimo. Percebo que eles não tentam seguir as tendências da moda, não tentam seguir quem está fazendo sucesso no momento, eles fazem com o coração. Isso é excelente.

O contato com os seus alunos influencia de alguma forma o seu trabalho como compositor?
Sim, na medida em que confirmo o meu princípio fundamental: é preciso acreditar muito na música, sobretudo hoje em dia. Por que nos tornamos compositores? – Porque nos temos paixão pela música e acreditamos muito nela. Não se pode crer que ser compositor é apenas um trabalho que nos dá dinheiro e uma certa condição social. Não. Fazemos música porque a amamos. Estar em contato com pessoas que estão produzindo música, a nova música, e que pensam assim para mim é fantástico. É uma troca intensa não apenas técnica, mas de emoção e sentimento.

O que você diria para um jovem compositor que está começando a carreira hoje?
Acredito que a música seja uma alquimia estranha e misteriosa daquilo que você conhece sobre música com aquilo que você é, sua voz interior. Portanto, se você quiser compor algo novo, algo fresco, faça algo que fale sobre si mesmo, sem pensar no que está sendo feito por aí.


Foto de Heloísa Bortz

Fonte: (Comunicação - Santa Marcelina Cultura)
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